Notícias Mundo ao segundo: Corona Vírus: 7 dias que mudaram o mundo.


por Carlos Bonaparte em 17-03-2020 às 02:26

Na segunda-feira morreram mais 349 pessoas em Itália. Apesar de tudo, é a 1ª vez em muitos dias, que morrem menos pessoas que no dia anterior. 19.


Foi no dia 8 de Março que terminou a 24ª jornada do campeonato nacional da Liga NOS. O Sporting batia o Desportivo das Aves por 2-0, num estádio Alvalade 21 com 26272 adeptos, e encerrou com o Paços de Ferreira 1-2 Vitória de Guimarães, com 4105 adeptos no Capital do Móvel. Jornada esta que já não deve contar para as contas do campeonato.
Tão só no dia anterior, sábado, Portugal apurava uma canção para o Festival da Eurovisão com toda a pompa e circunstância, até porque nesse mesmo dia, 7 de Março, o serviço público de televisão, RTP, comemorou 63 anos de vida. Mas o festival não deverá realizar-se, afinal. Ou não, certamente, em Maio.
No dia 8 de Março, também, a Juventus batia por 2-0 o Inter de Milão, numa jornada que nem sequer ficou completa. Dia 9 realizou-se o último jogo do Caucio: Sassuolo 3, Breshia 0.
Os cafés estavam todos abertos. Vários concertos ainda estavam marcados para este fim-de-semana, e as lojas já se começavam a encher de coisas para o dia do pai que, em Portugal, se realiza a 19 de Março. Nas ruas havia muitos turistas. Falava-se no Covid19, no crescente número de casos em Espanha e em Itália... mas ainda assim, a vida seguia, quase normalmente.

Os 7 dias que mudaram o mundo



De maneira inexplicável, o número de casos em Itália... disparou. O número de casos em Espanha... disparou. E em vários outros países... disparou. No dia 9 de Março Itália registava 10249 casos e 631 mortes. O que significava que 6.15% dos infetados pereceu. Volvidos 7 dias, a 16 de Março, Itália regista 27980 casos, mais 17731 do que até ali, num aumento que representa 273%, ou seja, quase o triplo, em apenas 168 horas, sensivelmente. Mais 1527 pessoas pereceram neste espaço de tempo, 717 delas em apenas 48 horas. A taxa de mortalidade por Covid19 subiu para 7.71%
No mesmo período, Espanha passou de 1646 para 9942; mais 8296 casos, correspondente a um aumento de 604%. Com 1646 casos registados, Espanha registava 35 vítimas mortais. Uma taxa de mortalidade de 2,12%. Mas esta taxa aumentou para 3.43% em apenas uma semana.
Na Alemanha havia 1457 casos, mas apenas duas pessoas haviam perecido. Uma taxa muito baixa, e que nem deveria ser sinal de grandes preocupações, não fosse esta uma pandemia, ou seja, epidemia mundial, e não se tivessem registado na Alemanha mais 5597 novos casos, em apenas 7 dias. Mesmo assim, neste país com quase 80 milhões de habitantes, registaram-se 17 vítimas mortais, um número muito abaixo da taxa média. Bom sinal, apesar de todo o contexto.
Em Portugal o relatório da Direção Geral da Saúde dava conta de 331 casos, mais 300 do que no dia 9 de Março. Um aumento de 1000%, mas que não é tão preocupante, pelo baixo número de casos. Nesta segunda-feira registou-se a primeira morte. Foi Mário Veríssimo, antigo massagista do extinto Clube de Futebol Estrela da Amadora. Foi o amigo que Jorge Jesus disse, no passado sábado, ter perdido em Portugal, por causa do Covid19. Corrigiu depois, confirmando que estava vivo, mas em estado grave... e faleceu esta segunda-feira.
Em apenas uma semana registaram-se cerca de 53 mil novos casos em todo o mundo. Uma média de 315 casos por hora. 11 mil deles, nas últimas 24 horas. No dia 10 de Março havia 117 países com casos reportados de Corona Vírus. Agora são 155, incluíndo todos os participantes no festival Eurovisão da Canção que se realizaria em Maio deste ano.

Há 7 dias, as previsões apontavam para um ligeiro abrandamento da economia mundial. Portugal teria um excedente orçamental, e os políticos degladeavam-se num debate quinzenal no dia 11. Uma das perguntas era se era mentira, ou não, que António Costa tinha ligado para o canal de televisão TVI, a fim de despedir Ana Leal. António Costa respondeu: "é mentira!". Foi talvez a última coisa que interessou ouvir antes da nuvem que se abateu sobre Portugal. Até porque a quarentena de Marcelo Rebelo de Sousa era simbólica. Hoje é um símbolo, e António Costa, primeiro ministro de Portugal, já admitiu que talvez já não haja excedente orçamental, fruto dos encargos adicionais que o estado tem com os trabalhadores privados, que custa aos cofres do estado cerca de 150 milhões de euros por semana.

Nem se sabia ao certo se as escolas iam encerrar, embora tal cenário já se pusesse em cima da mesa. Certo é que há não muito tempo, mas sim, há mais de 7 dias, fechar as fronteiras era algo impensável... até domingo à noite, dia 15.

Trocamos as manhãs do Goucha e da Cristina pelas conferências de imprensa de Marta Temido e Graça Freitas, ministra da saúde e diretora geral da saúde, respetivamente. E também lhes trocamos a crítica generalizada pelo apoio generalizado. Na história, portuguesa e talvez mundial, não há registo de opiniões e atitudes tão colaborativas entre entidades e personalidades, como se neste momento todos os partidos fossem, ou realmente sejam, apartidários.
Aprimorou-se o teletrabalho, algo que noutras circunstâncias seria impensável. O pequeno comércio modernizou-se, e começou a fazer entregas aos domicílios... o que ainda está em laboração.

Mas voltamos aos números. Porque nem tudo são más notícias. Na China, onde se registaram 81049 casos até às 02:20 deste dia 17 de Março, e morreram 3230 pessoas, numa taxa de mortalidade correspondente de 3.98%, há 68777 casos de pessoas que ficaram curadas. O que significa que infetados, na China, são agora "apenas" 12272. Não porque o apenas seja sinónimo de pouco, mas sim de muito menos do que há uma semana. Em Itália, o número de infetados ainda é substancialmente maior do que o de curados. Mesmo assim, dos 27980 casos registados 2749 são de pessoas curadas.
As boas notícias, para já, ficam-se por aqui. Pela primeira vez, há mais casos no resto do mundo do que na China, que registou um forte abrandamento até ao dia 12. Dia 12 de Março registaram-se apenas 11 casos, passando, a China, de 80921 para 80932. Dia 13 de Março registaram-se 13, no dia 14 32, no dia 15 26, no dia 16 30, e nas primeiras duas horas e 20 minutos do dia 17 já se registaram 16 novos casos. É um número baixo face aos dias anteriores, mas é um continuado aumento que começa a inquietar novamente as autoridades chinesas.


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